Quando o estresse pode ser bom… e quando começa a fazer mal
- Cesar Montoro

- há 12 minutos
- 3 min de leitura
Se alguém te dissesse que o estresse pode ser positivo, talvez você estranhasse. Afinal, estamos acostumados a associar estresse a cansaço, ansiedade e sobrecarga. Mas a verdade é que nem todo estresse é ruim. Em certa medida, ele é necessário para a vida.
O ponto importante não é eliminar o estresse, mas entender quando ele ajuda… e quando começa a prejudicar.
O estresse que nos move
Existe um tipo de estresse que podemos chamar de “adaptativo”. Ele aparece diante de desafios do dia a dia: uma apresentação importante, uma decisão difícil, um prazo apertado.
Esse tipo de estresse ativa o corpo e a mente. Aumenta o foco, a energia e até a motivação. É ele que faz você se preparar melhor, sair da zona de conforto e dar conta de situações que exigem mais de você.
Sem esse tipo de ativação, provavelmente ficaríamos mais apáticos, menos engajados e até menos produtivos. Em outras palavras, um pouco de estresse é o que nos coloca em movimento.
Quando o estresse deixa de ajudar
O problema começa quando esse estado deixa de ser pontual e vira constante.
O estresse crônico é aquele que não vai embora. A pessoa vive em alerta, como se algo estivesse sempre prestes a dar errado. O corpo não descansa, a mente não desacelera.
Com o tempo, isso cobra um preço.
Podem surgir sintomas físicos, como tensão muscular, dores de cabeça, problemas no sono e cansaço persistente. No plano emocional, aparecem irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração e até desânimo.
É como se o organismo ficasse preso no modo “sobrevivência”.
O limite não é igual para todo mundo
Aqui entra um ponto essencial: não existe uma medida universal de quanto estresse é “demais”.
Duas pessoas podem viver a mesma situação e reagir de formas completamente diferentes. O que para uma é desafiador, para outra pode ser esmagador.
Isso acontece porque cada pessoa tem uma história, uma estrutura emocional e um nível de resiliência diferente. Fatores como experiências passadas, suporte emocional, personalidade e momento de vida influenciam muito nessa resposta.
Por isso, comparar o próprio sofrimento com o dos outros costuma ser injusto e pouco útil.
Como perceber o seu limite
Em vez de tentar seguir um padrão externo, vale prestar atenção em alguns sinais:
Você sente que nunca consegue relaxar de verdade
Seu corpo vive tenso ou cansado
Sua mente não para, mesmo quando não há urgência
Pequenas coisas começam a parecer grandes demais
O prazer nas atividades diminui
Esses são indícios de que o estresse pode ter deixado de ser adaptativo e passado a ser excessivo.
Buscar equilíbrio, não eliminar o estresse
A ideia não é viver sem estresse. Isso seria praticamente impossível.
O caminho mais saudável é aprender a reconhecer seus próprios limites e criar espaços de pausa. Isso pode envolver desde mudanças na rotina até um olhar mais cuidadoso para si mesmo.
Em muitos casos, a psicoterapia pode ajudar justamente nesse ponto: entender como você reage às pressões da vida, fortalecer sua capacidade de lidar com elas e encontrar um ritmo mais sustentável.
Porque, no fim, não é o estresse em si que define o problema… mas a forma como ele se instala e permanece na nossa vida.
Um abraço!
Cesar B. Montoro
Psicólogo Clínico
CRP 06/72524
Atendimento presencial em São Paulo/SP (Tatuapé) e online para todo o Brasil e exterior.
"Não deixe o barulho da opinião dos outros abafar sua voz interior. E mais importante, tenha a coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles de alguma forma já sabem o que você realmente quer se tornar. Tudo o mais é secundário." (Steve Jobs)



